3 de ago de 2011

Carpe Noctem



Uma atmosfera nula e branda dança em volta da vela e o lânguido silêncio queima o incenso dos solitários.
Um cravo estacado grita o "lá" grave da escala menor e faz calar a respiração assustada súbita pela luz cambaleante que se apagou... O calor de dentro não aquece minhas mãos.
Na escuridão as linhas não mais me guiam e minha vista se adapta vagarosamente à ausência de luz. Cada fio de meus cabelos salta como imaginações vivas e dançam como na cabeça de medusa a musa sinfonia dos ventos.
Fecho os olhos e posso ver cada um daqueles momentos perenes: as minhas pequenas mortes; o sangue na fronte escorre de guerras desconhecidas.
Abro os olhos e antes que o segundo acabe, minha pupila se dilata para conceber o que vê. Nas trevas densas, aqueles terríveis olhos puros me querem guiar...

Alvaro Tapia Hidalgo





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