29 de dez de 2011

Existe amor em ZL

Ontem, 28 de Dezembro, minha avó, em coma há um mês e nove dias, fez a grande viagem.
Eu estava indo visitá-la no hospital quando soube da notícia. Foi difícil saber de sua morte, velar seu corpo e explicar aos meus sobrinhos o que havia acontecido. Mais difícil ainda enterrar a mulher que compartilhou sua fé comigo e foi, por um longo tempo, minha mãe também... mas me surpreendi com o cuidado e o amor das pessoas que ela cativou.


Dona Maria estava internada no Hospital Municipal da Vila Nhocuné, na Zona Leste de São Paulo, onde uma enfermeira, com mais de 20 anos de profissão, viu seu último suspiro e chorou. Após tantos anos vendo esta mesma cena repetidas vezes, sua humanidade foi preservada e suas emoções à tona, como alguém da família.
E falando em família, um amante à moda antiga foi o meu avô, como disse o pastor que realizou o culto fúnebre. Em sessenta anos de casado sempre levava flores à minha avó e nunca se aborrecia quando ela comprava produtos caros e inúteis da Polishop. Ele atrasou a cerimônia para lembrar ao regente o hino predileto de minha avó:
 "As ondas atendem ao meu mandar:
Sossegai!
Seja o encapelado mar
A ira dos homens, o gênio do mal:
Tais águas não podem a nau tragar,
Que leva o Senhor, rei do céu e mar,
Pois todos ouvem o meu mandar:
Sossegai! Sossegai!
Convosco estou para vos salvar:
Sim, sossegai!
"

20 de dez de 2011

Happy Litha


O Cristianismo é, por essência, uma religião preguiçosa. Seus atos de bondade tem data para acontecer, e estamos no meio de uma delas. Com o pretexto de celebrar o nascimento do Salvador, o Messias, filho de Deus e de uma virgem, considerada por alguns, qualquer mulher, os cristãos arraigaram o machismo, o medo e a culpa numa sociedade conhecedora de outro tipo de trindade: a trindade da mãe.

Habituados ao medo, eles se prostram aos pés de um Deus que nunca conseguem agradar, e então ressumam sentimentos de perdão, de paz, de amor e desprendimento proporcionais aos que necessitam receber deste Deus, na esperança de um ano melhor.
De lá para cá nada mudou muito. Os celtas, os africanos, os índios, os anglicanos, são todos atraídos por essa cultura de anos, batizados nos rios de sangue e abençoados pelas promessas de um carro novo, uma terra nova, um casamento novo, um espelho novo, 'um flit paralisante qualquer'...

Nesta época do ano acabo dando mais presentes que em qualquer outra época. Mas não dá pra fugir do sistema. É só em Dezembro que vem mais tempo de sair pra comprar, e é só em Dezembro que surgem os bonos, as férias, os salários adicionais... E isso não tem nada a ver com espírito natalino. Aliás, eu adoro me boicotar deste tal espírito (zombeteiro, diga-se!). Dentre tantos filmes gravados, baixados, comprados no mercado alternativo ou na Americanas.com, eu escolhi para o final de semana passado "O Nome da Rosa".
Ele não só representa o árduo caminho rumo ao conhecimento, que exige vencer os obstáculos da ignorância e subir os degraus da tolerância, mas a dificuldade de considerar os diferentes saberes numa entidade que se mostrou mais solícita às politicagens humanas que à "vontade divina". 
Quando a principal preocupação de uma entidade religiosa é ocultar conhecimento e manter a hegemonia no poder, matar pode ser apenas um instrumento da vontade divina. Hoje, mata-se a união familiar em detrimento de uma aparição parcial na cantata de natal da Igreja; trucida-se a ingenuidade da infância em troca de valores ultrapassados que só fazem estigmatizar adultos; assassina-se a alegria de estar vivo por uma rotina massacrante, que estimula os bons sentimentos e o descanso do mesmo jeito, for all folks, numa única época em que quem dita as regras, travestidas de vermelho, é o comércio.  
Como lembrou a sábia Dnara Rocco, ao explicar as diferenças dos festivais de Yule e Litha:
"O Natal é em Dezembro, apesar de Jesus ter nascido em Maio, e esta festa não é por causa Dele, mas sim, pelo Deus Cornífero, consorte e filho da Deusa, que no Norte, nasce em Dezembro.
Antigamente, os cristãos eram apenas um punhado, um tempo no qual quase todas as pessoas eram pagãs; ou acreditavam na Mitologia Grega ou na Romana, ou numa das diversas formas de Bruxaria.
Havia também os judeus que eram monoteístas, mas, fora da Galiléia, não eram representativos.
Devido a isto quase todos comemoravam o Natal em Dezembro, mês do nascimento da Criança da Promessa e dedicado a Zeus, ou Jupiter.
Talvez agora vocês estejam sabendo por que o Natal é em Dezembro: para convencer, mais facilmente os antigos pagãos a festejarem o Natal."
A parte boa, para mim, que me traz uma sensação gostosa de nadar contra a maré, é resgatar os primeiros valores destas épocas. Quando coloco a guirlanda na porta, quando mantenho a chama do sol, de fato me lembro da Roda do Ano, e recordo que durante o ano todo eu tentei me conectar ao Grande Espírito e à Grande Mãe com os ritos, com sorrisos e ensinando aos pequenos o que não me foi permitido experimentar.

7 de dez de 2011

6 de dez de 2011

Credo


"(...) Perfeito amor, confiança perfeita
Viva e deixa viver, dá o justo para assim receber
Três vezes o círculo traça e assim o mal afasta
E para firmar bem o encanto, entoa em verso ou em canto
Olhos brandos, toque leve, fala pouco, muito ouve
Pelo horário, a crescente se levanta e a Runa da Bruxa canta
Pelo anti-horário, a minguante vigia e entoa a Runa Sombria
Quando está nova a lua da Mãe, beija duas vezes Suas mãos
Quando a lua ao topo chegar teu coração se deixará levar
Para o poderoso vento norte tranca as portas e boa sorte
Do sul o vento benfazejo, do amor te traz um beijo
Quando vem do oeste o vento, vêm os espíritos sem alento
E quando do leste ele soprar, novidades para comemorar
Nove madeiras no caldeirão, queima com pressa e lentidão
Mas a árvore anciã, venera, se queimares, o mal te espera
Quando a Roda começa a girar é hora do fogo de Beltane queimar
Em Yule, acende tua tora, o Deus de chifres reina agora
A flor, a erva, a fruta boa, é a Deusa que te abençoa
Para onde a água correr, joga uma pedra para tudo ver
Se precisas de algo com razão, à cobiça alheia não dá atenção
E a companhia do tolo, melhor evitar, ou arriscas a ele te igualar
Encontra feliz e feliz despede, um bom momento não se mede
Da Lei Tríplice lembre também, três vezes o mal, três vezes o bem
Quando quer que o mal desponte, usa a estrela azul na fronte
Cultiva no amor a sinceridade para receber igual verdade
Ou um resumo, se assim preferes estar:
faz o que tu queres, sem nenhum mal causar."

1 de dez de 2011

Fórum discute Arte e Cultura do Paraguai


Se você gosta tanto da América Latina mas nunca teve oportunidade de conhecer as histórias e culturas que a enriquecem, ou se você só consegue ver arte paraguaia nas letrinhas embaixo de algum produto de Foz do Iguaçu, esta é a chance:

O Fórum Permanente de Reflexão sobre a Arte da América Latina "O Paraguai que nós vemos", coloca em debate, no próximo sábado (3), aspectos da cultura e da arte do Paraguai, a partir da língua guarani, da preservação dos bens culturais, enfocando aspectos da tradição, das vanguardas e do universo simbólico.  O Fórum apresentara um panorama da produção cultural contemporânea e das artes visuais da República do Paraguai.

A programação completa aqui.

Ricardo Migliorisi