18 de jun de 2013

Video of the day

 

Apesar de ainda questionar por que no Largo da Batata e não no Largo da Matriz, em Itaquera, acredito sim que o gigante acordou. Antes eles discutiam no café Filosófico ou no Starbucks da Alameda Santos, agora todos nós discutimos! E tem aquele tio que você julgava super despolitizado indo pra Praça da Sé. 

É esse tipo de assunto que tem que nos pautar! Que orgulho ouvir meu avô perguntando o que está acontecendo e mais: dando o maior apoio. 


Temos tudo pra finalmente sair daquela zona que a Chauí fala em seu livro "Simulacro e poder: Uma análise da mídia" em que o repórter não mais pergunta ao entrevista o que ele sabe ou viu, mas o que sente. Isso porque na dinâmica da mídia, é o veículo por meio de seus apresentadores e jornalistas que cumprem o papel do saber absoluto; é também o veículo que tem a prerrogativa de ter de dissolver o conteúdo dos fatos cotidianos para facilitar a compreensão do espectador. Mediar.

É a terapeutização da sociedade, da qual também fala Lasch: um método de conceber as relações sociais e políticas por um viés privado, abolindo a memória dos acontecimentos reais e favorecendo sua manipulação. 

Acontece que as coisas aqui acontecem tão descaradamente que, com o auxílio das redes sociais - que, defendo, devem ser legitimadas como verdadeiros caminhos da trajetória individual, e não apenas um item de "embelezamento" do sujeito -, novos canais de informação têm sido buscados pelas pessoas de maneira geral, o que tem levado a insatisfação a níveis de intolerância motivadores.

15 de jun de 2013

Brazilian Spring

Lisiane Cauduro
Porque até nós, conformados, atrasados e adjetivados fomos tomados pela ira. Estamos esgotados por tantas promessas esquecidas ou mal cumpridas e de políticos sem governança que depois de fazerem o que querem e como querem terminam recebendo menção honrosa e prêmios no exterior. "Aqui ninguém vai sequer morrer no Vietnam; aqui ninguém vai ra-ta-ta-tar no Viet Cong. Os garotos daqui não vão amar ninguém, é que eles ainda morrem de fome antes de ser alguém" (e de sede, num Nordeste que é árido desde que o povoamos e todos esses engenheiros que fazem estádios moderníssimos não são capazes de resolver, a modelo do que fez Israel, o problema da seca!) 


Thiago de Sousa Leal
Vocês, franceses, alemães, árabes, já passaram por isso. Sabem como é mudar um país, tentar livrá-lo das garras da repressão, fazer seu povo ser ouvido. Então não leve a mal que nossas cidades estão desordenadas: estamos em obras políticas! A gente pode super ser a maior economia emergente dos últimos tempos, mas, pasmem, nos faltam hospitais, empregos, educação de qualidade e segurança: nossa taxa de latrocínio triplicou nos últimos 10 anos! Uma onda de violência que tem se intensificado desde o ano passado com os atentados das facções criminosas, com o despreparo da polícia na reação ao crime organizado e na consequente insatisfação da população que já se habitua com notícias como "Estudante foi baleado e balconista morreu mesmo sem reagir em assaltos na Zona Oeste". Ou vocês acham mesmo que a gente adoro o título "O país do carnaval e do futebol" ?!

A juventude de 1968 retornou e está nas ruas. Neste momento, com todos os erros e acertos das grandes massas, eu ponho minha confiança no movimento. Tomara que assim, nos politizemos de vez, e tenhamos autonomia de defender o que conquistamos e acreditamos sem nos deixar cooptar pelo Estado. O diálogo tem que existir e tem que ser plural. Não existe inteligência na unanimidade.



3 de jun de 2013

Seresta

Meu coração é como o clima paulistano,
num mesmo dia sou inverno e sou outono
com essa presença do seu vulto inoportuno.


E em meu peito tempestuo amargurada
conversas quentes sob a chuva na vidraça,
ruídos surdos de um silêncio em badalada. 


Na longa noite imediata dos meus olhos
chuvilham pílulas nocebas demulcentes,
fulguram pintas semifusas emergentes.
 

Mas tu, que fazes nas notas dessa gaita?
Por que visitas a modinha já entoada?  

Deixa que os raios do verão ressequem a fenda.
Mesmo que tenha em tua mente sempre a certeza
de entre tantos seres o dono da aposta,

a fratura não exposta.
 

Leva os teus sinais que a saudade dói como um barco
cujas águas não deixam rastro
e o destino segue as sortes do acaso.