15 de nov de 2015

I'll be what I am

Passando o tempo, foi possível perceber o quanto me perdi.
Enquanto faziam jogos sujos pelas minhas costas.
Eu me sentia cada vez mais assustado com o tamanho desta sombra ao meu lado.
Lembro-me de enxergar assim, tão distante de mim.
Hoje acordo na certeza sem fim que estavam contra mim.
Eu serei o que sou, com meus erros e acertos. Pois eu me importo pra mim.

Será mais fácil enxergar assim, nada mais será contra mim.
Foi difícil encontrar uma razão, noites de jogos e escuridão.
Quando olhei para céu, não encontrei nada; 
estava sem brilho, tamanha imensidão.
Acredite... Queira você, sim ou não:
Não havia estrelas no céu, me tornava invisível na multidão.

De tanto tomar Gyn, me deitei no chão e fiquei nessa escuridão.
Mas agora nada será contra mim, me sentia assim.
Não havia guardas, muralhas e escorpiões.
Os portões dos porões não se fechavam, nada mais era contra mim,
quando cruzei a fronteira da razão enlouquecido da inquietação.

Levantei-me do chão, não haverá escuridão, nada queria enxergar.
Poderia assim encontrar uma razão.
Eu serei o que sou até o amanhecer.
Vou voltar a ver o que quer que seja... eu não procurei, nem fui encontrar.
Sou a sombra da luz que vem brilhar.
O botão da bomba fatal, fiz deste inferno meu quintal.
Vivo na dor de quem nunca sentiu, no espaço de alguém que nunca ocupou.
Sei que serei assim, o que sempre quis: uma sombra na escuridão, invisível à multidão.

(Lobo, 2015)


*Este poema foi escrito por um leitor do blog Torre no Porão. Lobo é um pseudônimo.

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