11 de fev de 2015

Menstruação, amamentação e poder

É muito fácil ceder às pressões tácitas de uma ingênua conversa feminina sobre mulheres. Logo você se vê reduzindo menstruação a TPM, amamentação à flacidez dos seios e todo o poder da sexualidade materna a um sem fim de reclamações, porque não quer parecer a louca do metrô com o dedo em riste pregando a libertação do sagrado feminino.



Mas essas conversas são tão importantes quanto um olhar menos hostil e mais franco e frequente sobre o próprio corpo. "O corpo, esse real que não passa pelo simbólico e que, portanto, acaba escapando até do simbólico das novas tecnologias, tornou-se o único lugar onde ainda se pode articular alguma coisa, inclusive uma ética (...) é como se o corpo tivesse virado o último reduto e a resistência.” (Atrator Estranho - Tempo Real, Espaço Virtual, p. 32)



Esse exercício tá extremamente ligado à intimidade que se pode desenvolver com os filhos - pra quem é mãe - e com o eu - pra quem não é [apesar que toda mulher é mãe, mesmo aquelas que não tiveram filhos]. 

Além disso, esse exercício de empoderamento da mulher sobre o que lhe pertence - seu corpo - também é muito didático para quem está ao redor. Lembro-me de amamentar minha filha em seus primeiros meses de vida e meu filho de coração e criação dizer "Tá, levanta o sutiã, tá aparecendo seu peito". Depois de ver a cena repetidas vezes e de conversas inúmeras, ele entende que aquele momento, apesar de íntimo e belo, é normal. Qual a relação dessa vivência com a postura que ele terá, ao longo de sua vida, com as mulheres à sua volta? Espero e acredito que a melhor, mais respeitosa e gentil possível.


9 de fev de 2015

A Dream of Avalon

And then the Sun went down, Only a campfire heat me now, From behind the trees I hear A melody as sad as a tear.
Where an old Oak has been wrecked,
And the moon's face is reflected
In the great water mirror,
My vision became clearer.
A young lady dressed in white
with her heart shining bright,
Came out from the dark forest's depth
And in the cold I could see her breath.
She took me by the hand,
In that moment I was damned,
I remembered her from other lives
And my spirit was lifted to the heights.

Then her lips touched mine,
a burning flame has raised to shine,
under the stars and zodiacal signs
she walked away from my very sight.
As suddenly as she came, she went away.
left me with my heart doomed to decay.
disappeared in the dark winter night,
To nevermore come out to the light.
Ancient secrets lay unrevealed
Protected by the blinding mists,
The forgotten island still persists
Throughout the aeons forever sealed.
In this island I remain,
Forever alone in the rain
With nothing but my memories,
The mists and the lake.

(From Uther to Igraine, 2014)
*Este poema foi escrito por um leitor do blog Torre no PorãoUther é um pseudônimo.
Se você também deseja publicar, envie seu texto para tabs.bolachas@gmail.com. 

2 de fev de 2015

My favorite headache

The Myth Of Perfect Reason
We've Forgotten At Birth
It's A Kind Of Clandestine Conspiracy
A Seraphin Joke Of Eternity



Apesar de ser um álbum de 2000 e apesar de ser uma produção do meu maior ídolo compositor e instrumentista do rock progressivo, confesso: eu não conhecia. 

O que me fascina em cada um dos integrantes do Rush, em especial no G.L., é como a banda soma mas não anula suas individualidades. Como disse o Marcelo Nova em um momento apaixonado "eu que sempre vivi encerrado em mim nunca imaginei que mudasse assim, e nada se perdeu".

Ouvindo o "My favorite headache", não senti que Lee tivesse nele uma pretensa liberdade de realizar experiências que o Rush não pudesse proporcionar ou conter. Mas, como disse o produtor do álbum e amigo de Lee, Ben Mink, "ele realmente inventou sua própria técnica"; um método que o obriga a transcender os meios disponíveis de desenvolvimento da própria técnica. É algo crescente e incontrolável.

The caravan thunders onward
To the distant dream of the city
The caravan carries me onward
On my way at last
On my way at last
I can't stop thinking big
I can't stop thinking big

O mesmo acontece com as composições. Lembro-me de ter tido meu primeiro contato com uma letra impactante do Rush e de como ela me deu a sensação de estar em sintonia com uma sabedoria que, a partir daquele momento, não era mais de fora, mas algo inerente. Talvez Lee escreva sobre essa ubiquidade com tanta segurança por se sentir assim em relação ao grupo, mesmo quando está trabalhando em seu álbum solo; e Peart, mesmo escrevendo sobre seu acidente e sobre como as viagens de moto lhe renovaram o sentido de viver; e Lifeson, em alguns de seus inúmeros projetos paralelos.

"Quando você ouve letras como essa, que são tão sérias e sinceras, falando da honestidade na arte, fazendo perguntas intelectuais mais difíceis e com uma incrível música ao fundo, eles ofereceram algo que faltava no rock." (Jack Black, em Beyond the Lighted Stage).     


20 de jan de 2015

Doce Agonia



Quero ficar do seu lado querendo ser você, 

nessa eterna e doce agonia de te ter e não te ter aqui dentro de mim....