20 de jan de 2015

Doce Agonia



Quero ficar do seu lado querendo ser você, 

nessa eterna e doce agonia de te ter e não te ter aqui dentro de mim....




16 de jan de 2015

Entre-nuvens



Cai levemente a Chuva, sem pressa de acabar
Beija apaixonadamente dois corpos quentes e desesperados
Deitados no frescor da grama molhada sob o luar

Simples e plenos, como estas rimas de um amor inventado
Dois corações palpitantes que só desejam a eternidade de um momento,
O abraço apertado e a cabeça recostada nos seios

Entre-nuvens a Lua sorri, observando com olhos atentos
Do alto de sua solidão a Lua também tem seus desejos
Inveja os dois corpos abraçados, sem pensar nem agir

Somente esperançosos por outros momentos na Chuva, sob sua luz
E deseja que vivam sem medos e que o Futuro lhes venha também a sorrir
Para que a vida faça sentido, e seus corpos continuem a se amar

(Roran, 2014)

*Este poema foi escrito por um leitor do blog Torre no Porão. Roran é um pseudônimo.
Se você também deseja publicar, envie seu texto para tabs.bolachas@gmail.com. 

13 de jan de 2015

Beltane

A sabedoria dos ritos ancestrais
Com os povos antigos perdida,
Os portadores da palavra esquecida,
©2012-2015 efercussie
O poder de evocar os elementais.


Entraremos no círculo sagrado,
Fecundaremos a Terra com a nossa semente,
Desejo e devoção somente;
O suor e o amor  ardente
De nossos corpos entrelaçados.


Teu elixir puro terei sorvido,
Teu ventre quente terei logrado
E a meu espírito alquebrado
Novo ânimo será concedido.


Seremos como a Deusa e seu Consorte,
Banhados de bençãos pela Lua.
Tão clara quanto a tua carne nua,
Associados no dever até a morte.


Que o sangue do velho gamo se derrame
Que um novo rei se proclame
Para guiar a Bretanha doravante
Iluminado pelas fogueiras de Beltane.


(Igraine, 2014)

*Ester poema foi escrito por uma leitora do blog Torre no Porão. Igraine é seu pseudônimo. Se você também deseja publicar - aberta ou 'secretamente' - envie seu texto para tabs.bolachas@gmail.com.

8 de jan de 2015

Resiliente

"Nós somos ásperos por força do hábito
Trazemos o sangue muito quente
Vivemos de migalhas, promessas e batalhas
Estamos rindo de nervosos
Cobertos de feridas num beco sem saída
No entanto o coração palpita
Estamos lúcidos, atentos com fôlego
Armados de fé até os dentes
Truques, acrobacias, palhaços e magias
Estamos vivos de teimosos
Circo de marionetes, chuva de canivetes
No entanto o coração se agita"
 
(Almôndegas, 1978) 

Mãos grossas de vassoura, unhas roídas de tensão; pelos mal aparados, eu mesma me faço: não tenho tempo não. Um olhar medonho, meio medo, meio torto, meio estrábico, meio insano. 

O cabelo meio liso, meio rubro, meio cacho. Mais pra baixo, bem pontudo, meu joelho, eu odeio, fica oculto pela saia, meio larga. 

A postura é meio curva, pela vista, ainda turva, dos meus países arrebalados que insisto em carregar, tão pesados, aqui fora. É só isso, por ora.