31 de ago de 2012

Clitoris

Tente não encontrar uma revista na banca que fale sobre sexualidade feminina. Elas estão lá, repletas de afirmações sobre o corpo e as relações sexuais: gozar é assim, o ponto G fica ali, os tamanhos ideais são tais... E a mulher vai se distanciando do exercício da percepção para ajustar-se às afirmações, tão legítimas! Afinal, estão publicadas numa revista! 

Daí que nesse meu caminhar esquizoide achei a Revista Clítoris. Fiquei tentada a traçar um perfil, mas decidi apenas ler. Achei tão gostosa quanto um orgasmo clitoriano! 

Ela não é tão inédita assim; já tá na quinta edição. Mas além de ilustrações com temática diferente a cada publicação e apesar de se nomearem uma revista de literatura, legal mesmo é a putaria e quantos olhares distintos pode-se dar a ela. Arte pura! 

Honestamente não entendi bem como está disposto o conteúdo de cada edição, mas vale a pena checar e tornar um pouco menos marginal essa prosa verdade, que não cabe nas revistas que circulam por aí. 

Na última edição, chamou-me atenção a crônica do Mário Bortolotto e sua semiologia peculiar. "Tenham um bom dia, se conseguem acreditar em meteorologia. Eles tinham mais é que ficar estudando os meteoros, não era não?".

29 de ago de 2012

Afrodite

Acervo - Spectrum Gothic

Foi um dos resultados da gematria judaica para o meu nome. Também deu "Robert"! E embora eu adore despontar com alguma expressão indiscreta nas fotos alheias, todos damos importância para determinadas coisas em detrimento de outras.

Mas o que nem todos fazemos é tomar consciência do que deixamos passar. Síndrome de Dom Quixote, talvez. Mas eu não estou interessada nas teorias dos finais. Amar e processar as coisas me interessa mais. Que me perdoe o Belquior, mas eu fico com Kafka!
 

Na gematria da Tabita pura, eu sou o sabath, a graça, o fogo e o Líbano. Se interessar, aqui o link do teste. E se você ficar tão certo da sua dualidade, quanto eu, não esquente: como diria o Marcelo Nova, "é só o fim".

28 de ago de 2012

Vigília

Arthur Rackham

Deitou-se e respirou profundamente, relaxando membro por membro.
O ar rodopiou na base da coluna vertebral e antes de fluir pelos chakras travou, abruptamente.
Tentou erguer os braços mas estava imóvel. E assim ficou.
Logo ela, tão inclinada ao sono, não pode dormir. Por mais que tentasse ornamentar sua realidade, engrandecer aquelas horas não era mister.
Então percebeu-se sonhando acordada;
com sombras encobrindo seu olhar,
de olhos, enlevos, lhe revelava,
luzes e formas de um alto lugar.
Como pictogramas, revia as finas gotas que bailavam no ar, ora caindo sobre os fios ruivos, ora sobre os fios dourados. E concebeu as lembranças em lágrimas, que desciam rosto afora desenhando seus traços, como fizera as mãos dele.
Não quis acordar.

 

24 de ago de 2012

Le Retour au Pays de L’enfance

O CINUSP Paulo Emílio recebe hoje, 24, a documentarista francesa Claire Angelini, que exibe um de seus longas-metragens mais importantes:  Le Retour au Pays de l’Enfance.

Realizado em 2009, o documentário inédito no Brasil enfoca o retorno de três mulheres aos seus países natais, de onde foram forçadas a fugir por conta de guerras. Marie-Hélène, francesa, Sieglinde, alemã, e Narriman, argeliana, voltam uma para Barentin, outra à Stolp e a terceira à Sakiet Sidi Youssef. 


Como suas histórias e seus passos se inscrevem na paisagem? De onde somos nós? O filme examina relações entre memória subjetiva, territórios e a consciência do adulto, e mostra como as pessoas podem ser afetadas pela história do local em que cresceram.


O CINUSP fica na Rua do Anfiteatro, 181 - Colmeia, Favo 04, na Cidade Universitária.
A entrada é franca.


Com informações do CINUSP

Desideratum


21 de ago de 2012

14 de ago de 2012

Relation chips

Não existem, quase, mais relações; existem projetos. 
Ontem ouvi um maluco do catarse.me - rede de financiamento colaborativo do Brasil - falar, durante um Seminário Avançado sobre Crowdfunding e produção midiática na área cultural, sobre os projetos que passam por eles, e da importância de terem começo, meio e fim. Sua finitude viabiliza o mapeamento do sucesso e do alcance dos objetivos traçados. 
Penso que essa característica migrou para as relações, especialmente aquelas fora do seio familiar; neste caso, as pessoas se suportam e se descobrem a cada adversidade, em nome da segurança (se é bom ou ruim... é um fato!).  
Nas demais esferas da vida social, há amigos que se vão quando acaba um curso, um "projeto", mas que deixam aquela saudade gostosa e aquela única foto, que você guarda como se tivesse tirado ontem;
há amigos que se vão em alguma situação mal resolvida e que nos deixam consternados, sempre com aquela sensação de que, como em um sonho, tudo irá se resolver naquele discurso pronto que, um dia, poderá ser dito e esclarecido em uma garrafa de Serra Malte;
e há aqueles que se foram nas asas do vento e deixam muita dor. 

Mas certamente há pessoas cujas relações se desgastam por pura falta de respeito mútuo, falta de paciência em aceitar a diversidade. E isso não é tomar rumos diferentes daqueles que te cercam, isso é sacanagem! Quando tudo aquilo que te encantava no outro vira motivo de questionamento, deve ser porque o projeto acabou, e não bateu as metas!
Como disse o Camelo, brilhantemente em O Vento: "se a gente já não sabe mais rir um do outro, meu bem, então o que resta é chorar". Ou mudar. Não?!?

 

3 de ago de 2012

Письма Елены

Porque vc é um espelho, cuja bruxa da face mais castigada se olha e vê uma bela princesa, que é você;
Você é meu ideal platônico, e a melhor parte de mim. E sem você é tudo muito difícil de encarar. 

Sem a leveza das tuas saídas para os meus problemas eu sou só uma criança chorando num corredor de hipermercado por não saber onde estão seus pais.
Eu não sei lidar com iniciativas nem com finais, só com processos. Por isso tudo ficou silêncio. E embora eu adore um trauma, admito que gosto mais do som da sua voz. 

Andrew Ferez