29 de dez de 2012

Bovarismo pós fílmico

Desperta-me, lua tríplice, e acordarei saudando com o sangue do lábio inferior

Os meus versos são gratuitos, são paupérrimos
São como eu, pedintes e dispersos
De qualquer gratidão
São cheios de ingênua afeição
E estão fartos da procura obstinada, procrastinada, mecanizada 

Ah! Escuridão!
Que já amiga se faz
E com o tato não te procuro mais
Porque te vejo no profundo dos olhos

"Chuva de Containers, Entertainers Noir"

Só me dôo por amor próprio,
Para alimentar uma volúpia e um ego inflamados
De desejos mimados
Eu me entrego para usurpar alheios modos

Pois eu quero o gosto do amargo
Eu quero o sabor da sabedoria gasosa
Eu quero os elementos brutos da vaidade
E da personalidade
Que não se corrompeu com o véu sutil das horas