29 de out de 2012

Sesquialtera

Gobugi

Quando aspiro à insanidade, rota de fuga,
com teus olhos me juras;
E num leve sopro, a bafejar a realidade,
despenco nas horas eternas do seu corpo.
Cubro-me com um lençól de estrelas e adormeço:
o vento gélido nos acolhe.

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Sinto-me Cinderela com as badaladas da noite e meia;
Desperto e levo braços e pernas aos tropeços.
Levo olhos, mas não olhares;
Levo os dedos; dualidade.
Nos meus lábios, embebem-se os beijos
para despontarem lacônicos sofismas. 

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 Agora estou no alto da torre. Minha mente roçaga graciosa sobre a grama rasteira.
Bem perto do chão, bem perto dos passos que me levam para longe da minha vaidade, das minhas verdades; para longe da minha construção, do meu aguilhão.
Enteso-me, buscando despedaçar-me. E já estou em pedaços. 


Neste sonho nebuloso, mas ainda viva, sofro a efeméride de uma pintura surrealista na parede da sala, esquadrinhada por suas lentes precisas;
Neste sonho perigoso, mas aqui, ainda, medro as agruras de um inferno terráqueo acusando-me de todos os pecados que cometi concisa. 


Um temor horrendo me toma: medo de despejar todas as minhas expectativas, medo de queimar o arroz, medo de abrir a porta emotiva, medo de soltar a voz. Então volto ao porão com minha luz pouca para alumiar, parcamente, uma escuridão opaca. Alegro-me, restritamente, em minha utilidade e perco minha fé enquanto exerço seus fundamentos. Do que sou não me lembro, e das minhas virtudes, motor de um coração fraterno, solidário e adornado, sobram projeções irreais de um sol afônico em um piano afélio empoeirado.

23 de out de 2012

Lá mentos

Sempre podemos achar uma boa argumentação para justificar o gosto pela música. Alguém disse que a vida sem música seria um erro. E mesmo para eles há trilha sonora!

Eu mesma poderia contextualizar este gosto e esta prioridade na minha vida de vários modos, mas prefiro focar no mais traumático, claro: ter estudado 14 anos de piano clássico, fazer conservatório, Escola Municipal de Música, a extinta Universidade Livre de Música, estudar regência com Naomi Munakata - que entre muitas outras coisas é regente do Coral da OSESP -, estudar composição com o maluco do Arrigo Barnabé, prestar Composição e Regência na UNESP e ter bombado na terceira fase do vestibular. Bom, terminei como jornalista não sei como. Mas sempre assobiando alguma canção.


E para não dizer que não falei das flores e dos clássicos, peguei-me cantarolando - com letra e tudo e em Lá com sétima (ou A7) - uma canção tão pouco cantarolada do Mestre Pixinguinha. Há versões em ré menor, outras em sol, mas não seria lamento. Aliás, Lamentos, no plural!


Sei que já há vídeos disponíveis do fabuloso Zimbo Trio ou do MPB4 com a letra, mas arriscarei confiar na minha memória para escrevê-la, e deixo aos seres que, oxalá, visitam o Porão o áudio do próprio Pixinga e seu belo sax alto.

Morena, tem pena!
E ouve o meu lamento.
Tento em vão te esquecer,
mas ai!, o meu tormento é tanto
que eu vivo em pranto, sou tão infeliz!
Não há coisa mais triste, meu benzinho,
que esse chorinho que eu lhe fiz.

                                                     
Sozinha, morena,
você nem tem mais pena!
Ai!, meu bem, fiquei tão só.
Tem dó, tem dó de mim,
porque estou triste assim por amor de você.
Não há coisa mais linda neste mundo
que meu carinho por você.


Meu amor, tem dó!
Meu amor, tem dó!



 
E aqui um áudio incrível, dele tocando "Sofres porque queres", datado de 1919.  

16 de out de 2012

Apoiscalipso

Essa é pra quando os tolos se assentarem na fama
Essa é pra quando acabarem os telegramas
Essa é pra quando as verdades estiverem sendo expostas
Essa é pra quando as minutas já tiverem propostas

Essa é pra quando abominarem o traçado da rua
Essa é pra quando falarem das prostitutas da grua
Essa é pra quando o cobrador der o alforrio
Essa é pra quando os cavalos não estiverem arredios  

Essa é pra quando a colmeia não puder reunir
Essa é pra quando perfurar a sonda em seu nariz
Essa é pra quando os reis não puderem dar jeito
Essa é pra quando a batuta não reger mais o concerto

Essa é pra quando a o cuspe for escarrado da janela
Essa é pra quando o adestrado não encantar mais com a tela
Essa é pra quando as bisnagas estiverem monocromáticas
Essa é pra quando as assinaturas não servirem pra nada


Essa é pra quando findar todo o óleo diesel
Essa é pra quando penetrar já não for mais aprazível
Essa é pra quando chegarmos no mês de Agosto

Essa é pra quando as identidades perderem seu pressuposto

"Essa é pra quando Judas retornar do inferno"
Essa é pra quando terminarem as rimas de bolso de terno

Essa é pra quando o pupilo estiver dilatado
"Essa é pra quando Deus estiver acordado"



Dran

5 de out de 2012

Raiva!

Excluí a porra da postagem sem querer!
Sem querer bati na porra do caminhão e perdi a porta do passageiro!
Quero arrancar o bico da teta de raiva, como diria a Ivi!


E foda-se, desta vez não quero opinião. Amanhã vou augustar, e é isso que importa.