19 de abr de 2013

Gott ist tot

Eu disse que desvirtuaria o video of the month. Mas brigar contra o riff do Tony é semelhante a discutir o sexo dos anjos ou quem nasceu primeiro: deus ou o diabo.



“O reino da bondade começa onde a nossa imperfeita percepção deixa de notar o 'impulso do mal' porque se tornou demasiado subtil; a partir desse ponto, o sentimento de que entramos no reino da bondade excita os nossos impulsos que se sentem ameaçados e limitados pelos 'impulsos do mal': os sentimentos de segurança, de conforto, de benevolência. Quanto mais imperfeita for a nossa percepção, maior será a extensão do bem. É por isso que as crianças e pessoas comuns gozam de uma eterna boa disposição e também por essa razão que os grandes pensadores sofrem sempre de uma melancolia semelhante à de uma má consciência.” (Die fröhliche Wissenschaft: 53)


Em Tempo: Embora faça referência à Nietzche neste primeiro single do álbum "13", a música "God is dead?" segue acompanhada de um ponto de interrogação e de um sonoro I don´t believe that God is dead, de Ozzy, que afirmou em entrevista para Zane Lowe, da rádio BBC, que embora tantas pessoas morram em nome da religião, "ainda há um pouco de esperança".
A entrevista começa aos 45'46". 

12 de abr de 2013

4 no 1

O que está acontecendo com o Brasil?

Sábado passado estive no show do The Cure. Entre as peculiaridades que só as aglomerações de pessoas podem conter, a constante era observar como parecia que um grande armário dos anos 80 havia sido aberto naquela noite, naquela hora, naquele lugar. Estampas over, acessórios neon (que deveriam vir acompanhados de um interruptor para "desligar"), jeans rasgados estrategicamente nas partes que deveriam esconder e - os mais questionáveis - saltos; saltos para todos os lados, em pessoas que passaram as próximas 3h e 22 em pé e apertadas.


Mas como não entendo de moda, eu só me perguntava se elas não pensavam em conforto e uma pitadinha de coerência. Mentira! Eu queria mesmo era ver o Robert Smith! Até que tomei um pisão no pé de um cara que usava um salto finérrimo. Não teria sido nada - eu sempre vou de coturno nesses shows - mas nos desequilibramos e ele arranhou minha perna com o salto - primeira lição: não vou mais de saia! A dor passou no momento que ouvi The Caterpillar, com uma bateria bem Brasil! (Aliás, que baterista incrível... merece um post, mas enquanto isso pode-se ler algo sobre ele aqui)  
Foi só quando cheguei em casa, tirando o coturno e vendo o arranhão, que senti o que chamo de "dor acumulada".

Hoje, descobri no entanto, que incoerência é uma banda numa propaganda de refrigerantes; incoerência é justamente tudo o que combina entre si, mas que se expõe num canal equivocado.

Veja só as manchetes a seguir. A mim, parece que saíram da tela da Tv, num filme de humor de quinta muito do sarcástico:

Corpo de Inri Cristo é encontrado na Colômbia
(eu, particularmente, trocaria para 'Jesus morreu de novo')



Thor Batista promove rave com guerra de tomates em sua mansão
(ou 'playboy não perde a oportunidade de esfregar na sua cara que não precisa perder o salário fazendo salada na janta')


PM de São Paulo usa gás lacrimogênio e balas de borracha para separar cães no cio
(ou 'governador fica broxa e desconta na cachorrada', com a seguinte linha fina: 'governo aproveita falta do que fazer da polícia para realizar a ação')


Pastora Suzane Richthofen é nomeada presidente da Comissão de Seguridade Social e Família
(nada do que inventem superaria tanta incoerência numa mesma frase)


"You flicker and you're beautiful, you glow inside my head. You hold me hypnotized, I'm mesmerized... Your flames, the flames that kiss me dead"   (The Cure)

Em Tempo: Assim como ocorreu com a Profª Lucia Santaella, diversas pessoas também vieram até mim, tomando o cuidado de não me constrangerem, para me alertar sobre o conteúdo anedotal das notícias elencadas acima. E assim como ela afirmou, para mim é muito mais inacreditável que elas não sejam verdadeiras do que o contrário. 

" (...) depois de Calheiros e Feliciano, e outros mais, tudo se tornou crível neste país. Fato, ficção, humor, farsa, verdades e mentiras, tudo se misturou de tal maneira que indignar-se é a prova dos nove, pouco importa se fato ou fantasia. Principalmente porque o humor é uma forma de afiar a lâmina da realidade. Os tomates falam muito sobre o que tem sido calado da família Batista. Mesmo que a maluca fantasiada de pastora não tenha sido nomeada, não se pode esquecer que os irmãos Cravinhos (é esse o nome?) andam soltos por aí. Qualquer um de nós pode até tropeçar com eles na rua. Ou será que essa informação também é questão de humor?"

5 de abr de 2013

Wind of Change


É certo que a vida é um eterno morde-assopra. Ora rimos, ora choramos. Não é questão de dualidade, mas de uma transmutação consistente não linear e difusa de fluídos, de poder, de intentos. 

E assim mesmo, bem amplo e maximizado, para não determinar a interpretação de algo tão grandioso. Afinal, as "convicções são cárceres".

Mas há dias uma sensação de insegurança me consterna; como se um gama de arremedos me coagissem, intempestiva e invisivelmente. Uma sensação de estar fora do eixo, quase fisicamente, mas que ao tentar se endireitar, percebe-se que nada estava fora do lugar. Nada externo. 

Então, neste caso, só resta mesmo submergir. E procurar, no fundo, um motivo; "além do mito que limita o infinito; além do dia-a-dia que esvazia a fantasia".  

É público e notório que um fio condutor para este 'além', para este porão úmido e de luzes amarelas, é a torre. Por isso, imersa, reverso esse universo: deixo Carroll e a imagem de Arthur Rackham no limbo e trago à margem Verne, o primeiro autor que li, e que emerge no horizonte como um farol no fim do mundo.     

Mas esta torre é um falso norte: ela direciona ao topo, e a distância só pereniza a percepção de sua elevação. Por isso a escolha desta foto- que está no post - para dar a estas palavras que carrego um destino alvissareiro. Ela representa todos esses pontos de vista, numa simbiose tão imperceptível que apenas uma imagem poderia traduzir. 

"Aquele que luta com demônios deve acautelar-se para não tornar-se um também. Quando se olha muito tempo para o abismo, o abismo olha para você". (Nietzsche)
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"The lighthouse at the end of the world" foi feita por Steve Allsopp e concedida para uso ao Torre no Porão. 


My best regards to dear Steve, for rewarding me with this wondrous image. You gave "her" to the world and I´m spellbound! So, I hope you receive many good energies of life, just as I.