1 de nov de 2011

Under pressure

Gosto de ler sobre assuntos que não domino; sobre os quais nunca me debrucei ou estudei antes. E enquanto perpasso os olhos sobre cada letra, um anagrama vai-se formando em minha mente. É aí que faço meus paralelos.

Hoje li sobre um assunto que exige conhecimento técnico para formação de uma opinião mais assertiva: a construção da usina de Belo Monte. E mal digeri a entrevista da Elaine Brum com o Prof. Célio Bermann, já comecei a me questionar sobre a atuação da PM no campus da USP, na capital.

Foto: G1
Não se sabe, de fato, o que gerou o tumulto na FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), mas sabe-se que a Polícia tentou impedir um aluno de usar um carro de som. Ao ouvir deste aluno que só mexeriam em seu carro mediante mandato judicial, a Polícia teria recuado. Momentos depois, três estudantes de Geografia que estavam fumando maconha no campus foram detidos. Este ato, somado à postura truculenta dos policiais, despontou como uma provocação aos alunos, que, indignados, tomaram o prédio da administração da FFLCH e ameaçam permanecer lá até a saída do atual reitor, João Grandino Rodas, e da PM.

Uma outra constatação foi a pixação do prédio da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) após a criação de um grupo no Facebook aprovando a atuação da PM no campus.

Saindo do Facebook, voltei à entrevista sobre Belo Monte, na revista Época; sobre como nos enredam num discurso liberal, repleto de mensagens subliminares - como a própria jornalista propôs no artigo -, vendendo-nos uma bomba em forma de benefício. Na entrevista, Bermann fala de sua experiência como assessor do governo e sobre o superfaturamento da obra, cujo mote não seria em nada energético, mas na área da construção civil.

Foto: AFP
Para dar tempo de processar as informações, olho pela janela e vejo uma pequena área de mata rasteira. Lembrei-me da região paraguaia do Chacco, e então de Itaipu. Nesta ocasião, o Brasil pagou sua parte à vista pelo acordo e ganhou um inquilino até 2022 2023, quando termina a dívida do Paraguai, financiada pelo BNDES. No livro, Ressentimentos de uma Guerra, um professor me relatou que passou toda a sua adolescência no Paraguai à luz de velas.  

E então chegamos, finalmente à Kafka (Oi!?). E me pergunto: será que não estamos nos transformando em algo indefinível por nós mas muito bem monitorado por altos interesses? Não estaríamos brigando por nossos direitos numa luta que já tem fim definido? Não estará nosso grito sufocado pela incapacidade de chegar a um consenso com o outro? E pior: vamos nos conformar a situações a ponto de nem questionarmos mais quem somos e o que queremos ser?


Pode parecer genérico, mas para todos os problemas - até mesmo para o de Gregor Samsa! - eu encontro uma mesma solução: Diálogo. É só por meio dele que as opiniões podem ser ouvidas e as ações enriquecidas. É ele que pode aumentar as expectativas do otimista e minimizar as frustrações do pessimista.

Diálogo!

2 comentários:

  1. genial "E então chegamos, finalmente à Kafka (Oi!?). E me pergunto: será que não estamos nos transformando em algo indefinível por nós mas muito bem monitorado por altos interesses? Não estaríamos brigando por nossos direitos numa luta que já tem fim definido? Não estará nosso grito sufocado pela incapacidade de chegar a um consenso com o outro? E pior: vamos nos conformar a situações a ponto de nem questionarmos mais quem somos e o que queremos ser?"
    concordo muito e tanto... pq é tão difícil!?

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  2. Pq é difícil reconhecer que a opinião do outro é melhor do que a nossa! Ou que o dividendo delas é melhor do que ambas! É difícil, mas uma postura que procuro ter como ideal... Que o gato preto - ao lado! - nos ajude!

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Éam?!?