30 de nov de 2011

Ando só

Magritte
Rodeado de móveis, acorda, 'inda com a mirada amorável da senhora do sonho e somatiza na boca do estômago o amargo olhar felino de Salém, preto dos olhos esmeralda, que dorme ao lado de sua cama. 
Ziguezagueando, retira displicente do canto dos olhos as poucas evidências de sua passagem pelo país das fadas. E então, rodeado de luz, choca de água gelada o rosto. 
Esconde a nudez, encosta os lábios nos dela e sai, rodeado de expectativas a atender. No trem, rodeado de possiblidades, salta no mesmo lugar, e lá, rodeado de gente, rodeia-se de fios sonoros que o imunizam dos acasos.
No fim da tarde, passa pela praça favorita de conhecidos, mas continua para seu lugar escondido. De frente para a parede desenhada pela sujeira e laureada por espelhos, vê um olho, um umbigo, um nariz, mas não vê ninguém. 

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