28 de ago de 2012

Vigília

Arthur Rackham

Deitou-se e respirou profundamente, relaxando membro por membro.
O ar rodopiou na base da coluna vertebral e antes de fluir pelos chakras travou, abruptamente.
Tentou erguer os braços mas estava imóvel. E assim ficou.
Logo ela, tão inclinada ao sono, não pode dormir. Por mais que tentasse ornamentar sua realidade, engrandecer aquelas horas não era mister.
Então percebeu-se sonhando acordada;
com sombras encobrindo seu olhar,
de olhos, enlevos, lhe revelava,
luzes e formas de um alto lugar.
Como pictogramas, revia as finas gotas que bailavam no ar, ora caindo sobre os fios ruivos, ora sobre os fios dourados. E concebeu as lembranças em lágrimas, que desciam rosto afora desenhando seus traços, como fizera as mãos dele.
Não quis acordar.

 

6 comentários:

  1. Ô Kim, você por aqui?! Obrigada e volte sempre! Você me inspira a pôr uns quadros, uns vitrais no porão!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Eu não sei se te chamo de Giroldo ou de Vitarossi. Gosto mais do segundo. A mistura do latim com o italiano; e porque rossi vem de "rosso", que, neste contexto, pode caber como "enrubescer". Foi assim que fiquei com seu comentário. E tudo isso é pra dizer que "eu sempre manejei bem as palavras, mas agora não sei o que dizer".

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  3. quando as palavras ficam mais doces e o sonho se confunde com a realidade é porque algo vai bem! ;)

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  4. Sabe, Yuna, bem e mal já ultrapassam minha capacidade cognitiva. Eu sou muito limitada pra entender. às vezes o sonhando me ajuda, confesso! Mas no geral eu só tento traduzir os sinais que me espreitam...

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Éam?!?