11 de fev de 2015

Menstruação, amamentação e poder

É muito fácil ceder às pressões tácitas de uma ingênua conversa feminina sobre mulheres. Logo você se vê reduzindo menstruação a TPM, amamentação à flacidez dos seios e todo o poder da sexualidade materna a um sem fim de reclamações, porque não quer parecer a louca do metrô com o dedo em riste pregando a libertação do sagrado feminino.



Mas essas conversas são tão importantes quanto um olhar menos hostil e mais franco e frequente sobre o próprio corpo. "O corpo, esse real que não passa pelo simbólico e que, portanto, acaba escapando até do simbólico das novas tecnologias, tornou-se o único lugar onde ainda se pode articular alguma coisa, inclusive uma ética (...) é como se o corpo tivesse virado o último reduto e a resistência.” (Atrator Estranho - Tempo Real, Espaço Virtual, p. 32)



Esse exercício tá extremamente ligado à intimidade que se pode desenvolver com os filhos - pra quem é mãe - e com o eu - pra quem não é [apesar que toda mulher é mãe, mesmo aquelas que não tiveram filhos]. 

Além disso, esse exercício de empoderamento da mulher sobre o que lhe pertence - seu corpo - também é muito didático para quem está ao redor. Lembro-me de amamentar minha filha em seus primeiros meses de vida e meu filho de coração e criação dizer "Tá, levanta o sutiã, tá aparecendo seu peito". Depois de ver a cena repetidas vezes e de conversas inúmeras, ele entende que aquele momento, apesar de íntimo e belo, é normal. Qual a relação dessa vivência com a postura que ele terá, ao longo de sua vida, com as mulheres à sua volta? Espero e acredito que a melhor, mais respeitosa e gentil possível.


2 comentários:

  1. Que legal, Ta! Gostei muito de algumas coisas que escreveu. Estava tão concentrada lendo que fiquei rolando a página procurando o resto! hahaha
    Quero mais!!
    (Como vc consegue escrever? Não consigo mais. :( )

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  2. Aii que bom, Ln! Sabe que pra mim é um desafio, porque além do pouco tempo, muitas novas idéias tem surgido, outras já batidas, mas a inspiração se confunde com o cansaço e a genialidade que tanto se busca na escrita foca cada vez mais distante! Mas eu sou teimosa, fazer o que?!
    Sinto falta de ler suas loucuras....

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Éam?!?