20 de dez de 2011

Happy Litha


O Cristianismo é, por essência, uma religião preguiçosa. Seus atos de bondade tem data para acontecer, e estamos no meio de uma delas. Com o pretexto de celebrar o nascimento do Salvador, o Messias, filho de Deus e de uma virgem, considerada por alguns, qualquer mulher, os cristãos arraigaram o machismo, o medo e a culpa numa sociedade conhecedora de outro tipo de trindade: a trindade da mãe.

Habituados ao medo, eles se prostram aos pés de um Deus que nunca conseguem agradar, e então ressumam sentimentos de perdão, de paz, de amor e desprendimento proporcionais aos que necessitam receber deste Deus, na esperança de um ano melhor.
De lá para cá nada mudou muito. Os celtas, os africanos, os índios, os anglicanos, são todos atraídos por essa cultura de anos, batizados nos rios de sangue e abençoados pelas promessas de um carro novo, uma terra nova, um casamento novo, um espelho novo, 'um flit paralisante qualquer'...

Nesta época do ano acabo dando mais presentes que em qualquer outra época. Mas não dá pra fugir do sistema. É só em Dezembro que vem mais tempo de sair pra comprar, e é só em Dezembro que surgem os bonos, as férias, os salários adicionais... E isso não tem nada a ver com espírito natalino. Aliás, eu adoro me boicotar deste tal espírito (zombeteiro, diga-se!). Dentre tantos filmes gravados, baixados, comprados no mercado alternativo ou na Americanas.com, eu escolhi para o final de semana passado "O Nome da Rosa".
Ele não só representa o árduo caminho rumo ao conhecimento, que exige vencer os obstáculos da ignorância e subir os degraus da tolerância, mas a dificuldade de considerar os diferentes saberes numa entidade que se mostrou mais solícita às politicagens humanas que à "vontade divina". 
Quando a principal preocupação de uma entidade religiosa é ocultar conhecimento e manter a hegemonia no poder, matar pode ser apenas um instrumento da vontade divina. Hoje, mata-se a união familiar em detrimento de uma aparição parcial na cantata de natal da Igreja; trucida-se a ingenuidade da infância em troca de valores ultrapassados que só fazem estigmatizar adultos; assassina-se a alegria de estar vivo por uma rotina massacrante, que estimula os bons sentimentos e o descanso do mesmo jeito, for all folks, numa única época em que quem dita as regras, travestidas de vermelho, é o comércio.  
Como lembrou a sábia Dnara Rocco, ao explicar as diferenças dos festivais de Yule e Litha:
"O Natal é em Dezembro, apesar de Jesus ter nascido em Maio, e esta festa não é por causa Dele, mas sim, pelo Deus Cornífero, consorte e filho da Deusa, que no Norte, nasce em Dezembro.
Antigamente, os cristãos eram apenas um punhado, um tempo no qual quase todas as pessoas eram pagãs; ou acreditavam na Mitologia Grega ou na Romana, ou numa das diversas formas de Bruxaria.
Havia também os judeus que eram monoteístas, mas, fora da Galiléia, não eram representativos.
Devido a isto quase todos comemoravam o Natal em Dezembro, mês do nascimento da Criança da Promessa e dedicado a Zeus, ou Jupiter.
Talvez agora vocês estejam sabendo por que o Natal é em Dezembro: para convencer, mais facilmente os antigos pagãos a festejarem o Natal."
A parte boa, para mim, que me traz uma sensação gostosa de nadar contra a maré, é resgatar os primeiros valores destas épocas. Quando coloco a guirlanda na porta, quando mantenho a chama do sol, de fato me lembro da Roda do Ano, e recordo que durante o ano todo eu tentei me conectar ao Grande Espírito e à Grande Mãe com os ritos, com sorrisos e ensinando aos pequenos o que não me foi permitido experimentar.

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