17 de out de 2011

A ferro e fogo

No mar da modernidade líquida, eles navegam, de pé na proa; rindo dos monstros marinhos, rindo da escuridão. "Seus otários, nós passamos por isso", pensavam, escondendo sob as franjas molhadas seus Ajnas.
Sua comunicação, como nos demais navios, era gerada com interrupções de vento, vicissitudes de água, rigor de madeira. Mas seus olhares traspassavam os ponteiros.
Enquanto a conexão entre os marujos era feita da forma mais rudimentar, entre eles o pensamento eclodia sonoro na mente, mas leve como a brisa da enseada.
"Todos a bordo!, o comandante gritou". Suspenderam a âncora e iniciaram a viagem. Diferente do torpor comum, sentiam calma e um certo cansaço. Cada movimento era, na verdade, uma futilidade para eles. Já fizeram-nos tantas vezes. E lembravam-se.

De todos as palavras, gostos e gestos, apenas a saudade de um abraço que nunca deram apertava-lhes o peito. E então sentiam sua humanidade.
Com dedos firmes faziam seu ofício. Com apreço, reconheciam céu e mar, com todas as suas pessoas, suas complexidades. Mas seguiam, juntos, em mais esta era, pelo nobre caminho... do meio.


 

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