22 de set de 2011

Efígie

Ah que bom seria se, imersos em ilusões múltiplas, os pensamentos tomassem controle do corpo imóvel, sentado sob as folhas, e aliciassem as lembranças a dirigirem a realidade...

Meus olhos se abriram pausadamente. E enquanto os pensamentos se dissipavam da mente, eu os percebia, perplexa, materializarem-se; como se escapassem pela pupila do meu universo paralelo.

Com os olhos completamente abertos senti pontada abrupta no peito. Não podia crer no que via! "A tua imagem em perfeição". E quanto mais eu me esforçava para vê-lo, mais e mais minha consternação tomava forma de lágrimas.
Naquele delicioso desespero, eu me negava a acreditar, e tampouco esfregaria os olhos. Eu lutava contra meus instintos e evitava, até, arrefiar! Eu não perderia a visão, cada vez mais nebulosa, do teu sorriso, da tua gêmea companhia.


Então, com profundo medo da dor de um novo luto, abandonei meu corpo sobre as folhas e cerrando os olhos, vi nítidos seus traços novamente.
Berk Öztürk

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