14 de mar de 2013

Flame Heritage

Illustration: Odessa Sawyer
Dali corríamos, em torno das árvores que restavam
O ar, ainda úmido naquele canto, atingia-nos com efeito letárgico
Não nos importávamos
Tudo permanecia igual

Pelas paredes, ouvíamos o trottoir dos desamparados
Uma vibração reverberaba em redor
Naquela música dançávamos
Intocados pela pressão
Sim, nos era como música
Habitar, consciente, os últimos momentos

Minutos finais da existência do tempo
Era alento,

Inventar uma panaceia para sentir o vento

Abrimos as tampas
Logo cedemos ao desejo de ver
So far away
O brilho das chamas

Longe do madrigal que nos enevoava
Os gritos e gemidos irrompiam do oceano
Vertendo as películas que nos amalgamava
E a brisa que suave nos polinizava
De lufadas virulentas nos fez desengano


7 comentários:

  1. Everton, é sempre uma surpresa levantar na escuridão do Porão quando alguém bate à porta; muito melhor quando se trata de alguém como você! Obrigada pela visita. Sim, é de minha autoria. Este blog é autoral, mas em raras circunstâncias reproduzo textos de terceiros, sempre entre aspas.

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  2. Devo dizer que é lindo, invejo sua habilidade com as palavras.

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  3. Leio sempre seu blog, te acho uma poetisa
    voce escreve muitas coisas lindas com muinta sensibilidade
    Sendo assim fiz esta homenagem a voce.
    A lua projetava seu olhar verde
    Sobre os velhos arabescos das flores calmas
    A pequena varanda era como o ninho futuro
    E as ramadas escorriam gotas que não havia.
    Eu me pus a sonhar o poema da hora.
    E, talvez ao olhar meu rosto exasperado
    Pela ânsia de te ter tão vagamente amiga
    Talvez ao pressentir na carne misteriosa
    A germinacão estranha do meu indizível apelo
    Ouvi bruscamente a claridade do teu riso
    Num gorjeio de gorgulhos de água enluarada.
    E ele era tão belo, tão mais belo do que a noite
    Tão doce como mel dourado
    Que ao vê-lo trilar sobre os teus dentes como um címbalo
    E se escorrer sobre os teus lábios como um suco
    E marulhar entre os teus seios como uma onda
    Eu chorei docemente na concha de minhas mãos vazias
    No quarto com minha solidão.

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    1. Caro Beto,
      Leio com bastante apreço às suas palavras. Seu texto é belíssimo, uma pintura. Sobretudo agradeço sua visita e espero que encontre aqui palavras de acalanto.

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  4. "Os minutos finais da existência do tempo..."
    Certamente uma lembrança a se desejar, imaginar e sobretudo, a temer.

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    1. Temo que eu deseje tanto por eles, Sir Brandt!

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Éam?!?