29 de out de 2012

Sesquialtera

Gobugi

Quando aspiro à insanidade, rota de fuga,
com teus olhos me juras;
E num leve sopro, a bafejar a realidade,
despenco nas horas eternas do seu corpo.
Cubro-me com um lençól de estrelas e adormeço:
o vento gélido nos acolhe.

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Sinto-me Cinderela com as badaladas da noite e meia;
Desperto e levo braços e pernas aos tropeços.
Levo olhos, mas não olhares;
Levo os dedos; dualidade.
Nos meus lábios, embebem-se os beijos
para despontarem lacônicos sofismas. 

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 Agora estou no alto da torre. Minha mente roçaga graciosa sobre a grama rasteira.
Bem perto do chão, bem perto dos passos que me levam para longe da minha vaidade, das minhas verdades; para longe da minha construção, do meu aguilhão.
Enteso-me, buscando despedaçar-me. E já estou em pedaços. 


Neste sonho nebuloso, mas ainda viva, sofro a efeméride de uma pintura surrealista na parede da sala, esquadrinhada por suas lentes precisas;
Neste sonho perigoso, mas aqui, ainda, medro as agruras de um inferno terráqueo acusando-me de todos os pecados que cometi concisa. 


Um temor horrendo me toma: medo de despejar todas as minhas expectativas, medo de queimar o arroz, medo de abrir a porta emotiva, medo de soltar a voz. Então volto ao porão com minha luz pouca para alumiar, parcamente, uma escuridão opaca. Alegro-me, restritamente, em minha utilidade e perco minha fé enquanto exerço seus fundamentos. Do que sou não me lembro, e das minhas virtudes, motor de um coração fraterno, solidário e adornado, sobram projeções irreais de um sol afônico em um piano afélio empoeirado.

5 comentários:

  1. Já que ninguém comentou nada, estou eu aqui rasgando seda de novo.

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  2. Obrigada pela gentileza! Logo mais farei um post sobre putareba, daí os ratos voltarão!

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  3. Tabita leio seu lindo texto mais uma vez, ainda me sinto entrando num plano que não alcanço, mas que a curiosidade não me deixa desprender, na medida que as palavras chegam acompanho seus movimentos, na torre, no porão, no meio, é uma aventura e dá muito medo. mas um brilho nos guia e ainda não podemos nos perder totalmente, para o bem ou para o mal.

    a música é linda, linda mesmo e "acabou com a minha vida"! rsrs

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  4. Eu nunca sei o que te dizer, exatamente. Mas gostaria de poder expressar monossílabica, simples e iluminadamente o sorriso que me desponta quando te leio me lendo.

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Éam?!?