29 de jul de 2013

Faun


Este mês de Julho teve a madrugada mais fria da década. No último dia 24, foi registrado pouco (pouco mesmo) mais de 5º Celsius na capital. Infelizmente - e como ocorre sempre quando saímos demais do prumo a que fomos acostumados - também foram registradas mortes causadas pelo vento gélido da noite.


Para além das condições de humanidade básicas de que o Estado priva seus filhos, fico imaginando como seria se além de abrigo, uma bebida quente e uma acolhida digna, toda a cidade pudesse experimentar coletivamente o calor de uma canção. Assim como Héstia, Baco e Deméter, Faun fosse cultuado, não por medo, esperança ou obrigação, mas por pura e imediata empatia. E nele, há aquela delícia do prazer que provém do aprendizado.  


Não se sabe ao certo sua origem e, de fato, qual sua ligação mais verídica: se com Pã - o deus grego dos bosques -, se com o rei Lácio, de Roma, ou com Marte e Saturno - seus ascendentes diretos. Mas sua imagem, ainda que confundida com a dos sátiros gregos, sempre nos remete a um ser de aparência agressiva, semblante e intenções duvidosos. Para muitos de nós, essa imagem foi reforçada no filme O Labirinto do Fauno, que teve menção por aqui.


Por outro lado, os registros a que temos acesso sobre ‘Faun’, nos descreve um deus intimamente ligado à música. Com uma canção envolvente, a ele foram atribuídos o dom de tocar gaita e a criação da charamela.


E neste mês frio, eu conheci uma banda que olhou através da carranca do Fauno para descobrir a beleza de sua música. A banda Faun foi formada em 1998 em Munique, Alemanha. Porém, o primeiro álbum só foi lançado em 2002. A banda possui uma fórmula musical muito interessante, combinando elementos da música medieval, celta e folk com sintetizadores de computador. A presença marcante de mitologia em suas letras, escritas principalmente em Alemão, mas também figurando o inglês, finlandês, islandês, latim, espanhol e muitas outras que não consegui identificar :P, conferem à banda uma identidade e personalidade difíceis de se encontrar nas bandas modernas do gênero. Inda mais porque, de certa forma, as bandas folk vêm reforçar a identidade de um país, uma cultura. Quando uma banda alemã canta em espanhol, ela alarga suas fronteiras; como se afirmasse que sua cultura ultrapassa seu território.


Nenhuma letra deles faz menção direta à Faun - embora faça à Pan (cujo vocal não poderia me lembrar ninguém mais que Ian Anderson, Jethro Tull) e aos Satyros - mas nem precisa, viu?! Com esse nome e com todos os instrumentos que usam, aquela atmosfera bucólica e salvagem se faz presente.   





* Este post é cheio de referências da banda porque foi escrito à quatro mãos! As outras duas são do Everton Matos, que desde sempre traz as novidades mais quentinhas e interessantes do Folk Universe. 

4 comentários:

  1. Foi um grande prazer e uma grande honra, fico realmente feliz pelo convite. Só tenho a agradecer pela oportunidade e espero poder contribuir novamente em breve.
    Parabéns pelo blog! É incrível.

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    1. Cara, eu que agradeço! Vamos repetir a dose!!! E mais uma vez você me indica uma banda que virou favorita! Tô viciada :s

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  2. Sehr gut! Muy Bueno! Nimis bonum! e tantos outros que eu não sei falar :P

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    1. haushaushuash!! ^^ Ouvindo folk e aprendendo! Viva o Rock \m/

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Éam?!?